Resumo da Dissertação:
“Um Retrato da Área de Neurociência e Comportamento no Brasil”.
A
neurociência compreende o estudo do sistema nervoso e suas ligações com toda a
fisiologia do organismo, incluindo a relação entre cérebro e comportamento, as
doenças do sistema nervoso e seus reflexos em todas as funções do indivíduo, procurando
métodos de diagnóstico, prevenção e tratamento, além da descoberta das causas e
mecanismos. O controle neural das funções vegetativas – digestão, circulação,
respiração, homeostase, temperatura –, das funções sensoriais e motoras, da
locomoção, reprodução, alimentação e ingestão de água, os mecanismos da atenção
e memória, aprendizagem, emoção, linguagem e comunicação, são temas de estudo
da neurociência.
Muitas
doenças do sistema nervoso são totalmente incapacitantes, outras provocam
prejuízos de diferentes níveis de gravidade. Dados do National Institute of
Health - NIH (2002) mostram que, na população dos EUA, dentre as doenças
neurológicas que em geral se instalam na infância: (1) a epilepsia afeta cerca
de 2,5 milhões de norte-americanos; (2) a paralisia cerebral ocorre em 750.000
nascimentos; (3) o autismo atinge 400.000 crianças; e (4) os tumores cerebrais
são a segunda causa de morte por câncer em crianças até 15 anos.
As
doenças do sistema nervoso são muito difíceis de serem tratadas, mas tem havido
progressos notáveis nos últimos anos, decorrentes do grande esforço de pesquisa
em neurociência. São, ainda, listados pelo documento do NIH tratamentos
promissores para doenças do sistema nervoso em estudo, incluindo drogas,
vacinas, estimulação elétrica, transplantes celulares, fatores de crescimento
naturais, próteses neurais, terapia gênica e intervenções comportamentais.
Há
programas de pós-graduação em Neurociências e Comportamento com este nome ou
com o nome de Psicobiologia, na UFRN, na UFSC, na USP, na Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras da USP-RP e na UNIFESP. Estima-se que 20% da
produção científica brasileira da área biológica e biomédica sejam de
neurociência.
As
diversas áreas representadas nas neurociências brasileiras surgiram de forma
espontânea, de meados do século passado para cá, refletindo oportunidades de
treinamento em centros do exterior para os pioneiros da área. Sua
diversificação cobre uma razoável extensão do campo das neurociências, embora
ainda existam muitas lacunas. Mais do que cobrir todas as lacunas, contudo,
devemos pensar no que seria relevante procurar desenvolver em nosso meio. Propostas
de alguns objetivos que poderão direcionar futuras direções de desenvolvimento.
·
Objetivo 1. Preservação e incentivo às
linhas de pesquisa existentes
Ampliar
e fortalecer as linhas de pesquisa já bem estabelecidas e dedicar esforços para
a expansão das linhas emergentes que já se instalaram.
·
Objetivo 2. Incorporação da revolução
trazida pela genética
Seja
nas linhas existentes, seja em novos programas, a pesquisa em neurociências
deverá, em futuro imediato, considerar e incorporar os novos avanços da
genética, em consonância com o que está ocorrendo no plano internacional.
·
Objetivo 3. Incentivo à pesquisa
clínica
Para
a tradução dos novos avanços genéticos ou de novos medicamentos e procedimentos
em geral, em métodos terapêuticos e de diagnóstico, há necessidade de se
incentivar a pesquisa translacional realizada por meio da pesquisa clínica com
seres humanos.
·
Objetivo 4. A incorporação de novas
tecnologias
A
área de pesquisas de neuroimagem e, em especial, a ressonância magnética
funcional, precisa se desenvolver nos próximos anos, em nosso meio, sob pena de
ficarmos em grande defasagem com os países desenvolvidos.
REFERÊNCIA:
VENTURA,
D. F. Um Retrato da Área de Neurociência e Comportamento no Brasil. Psicologia: Teoria e Pesquisa,
Universidade de São Paulo, v. 26, n. especial, p. 123-129, 2010
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